sexta-feira, 5 de outubro de 2007

LAMENTOS DE UM CLÉRIGO




O RELATÓRIO DO SENHOR VIGÁRIO
(Dizem os livros e papeis velhos).



Em 1758 estava à frente da freguesia de Penajóia o Reverendo P. Pedro Monteiro Coutinho e Queiroz, que se intitulava Vigário, e não Abade como hoje dizemos.
Pelos trinta e dois lugares, que então se contavam, viviam quatrocentos e vinte e nove vizinhos; correspondendo ao lugar de Lagoas o menor numero – apenas dois, e o maior, em S. Geão - com setenta e sete, seguido de Valclaro – com trinta e sete .
Era a Penajóia naquele tempo uma das mais importantes freguesias de Lamego, e a sua história vinha de longe ... O senhor Vigário, que era apresentado pelas freiras de Santa Clara do Porto, e tenha de renda anual cento e sessenta mil réis, è que não se orgulhava muito da sua freguesia ...
Por se considerar mal remunerado, ou por qualquer outra razão que desconhecemos, perguntando uma Vaz sobre o que de notável havia na sua freguesia, respondeu: «(...») não tem Beneficiados nem conventos, nem a nenhuma das Ermidas acode romagem de circunstância , nem he couto, honra ou Behetria, nem daqui sahiram homens insignes por virtudes, Letras, nem por Armas, nem tem feira, nem privilégios, nem antiguidades, nem cousas dignas de se dar conta; nem tem fonte, nem lagoa celebre, nem Porto de Mar, nem he morada, nem Praça de Armas, nem há Castello algum, nem torre, nem padeceo ruína alguma no terramoto de 1775, nem há cousa mais alguma digna de memoria, ou de que se possa fazer mençam”.
Que o Senhor tenha em Sua Santa Guarda o nosso cronista que, muito honestamente, foi ao ponto de declarar que Penajóia não tinha « porto de mar»...

F.J.Cordeiro Laranjo
(Ecos de Penajóia, Janeiro de 1981)

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