segunda-feira, 26 de maio de 2008

PENAJÓIA - MOLEDO

PENAJÓIA – MOLEDO
O Lugar do Moledo, é célebre pela sua antiguidade. Fica no fundo da Serra do Vilar e sobre a margem esquerda do Douro. Por ela passava a antiga estrada que seguia para Lamego por Santiago e para Mesão-Frio, na outra margem do rio.
A Rainha D. Mafalda, esposa de D. Afonso Henriques, mando erguer no lugar do Moledo uma capela, uma Albergaria ou Hospital com botica, tudo gratuito, para pobres e ricos. Havia uma barca de passagem, chamada do Moledo ou de “por Deus”, por ser também gratuita para todos.
Nos princípios do século XIX, ainda a Barca, a Albergaria e a Capela do Moledo tinham um Juiz, que era eleito e nomeado pelo Senado de Lamego. A barca já não era “Por Deus”, mas “ por dinheiro” e ficou assim, a pertencer à Câmara de Lamego a administração das barcas do Moledo, Carvalho e Bagaúste, por Portaria do Ministério do Reino, em 1843. A partir daqui se estabeleceram regulamentos. As barcas não podiam ter menos de setenta palmos de “de ôca de ré à ôca d’avante”, e a tripulação, em “rio alto”não teria menos de seis homens e em “rio baixo”3. O barqueiro era obrigado a passar os utentes desde o romper do dia até ao fechar da noite; e aos militares em serviço e aos correios, a toda a hora. Fixou-se, nessa altura, uma tabela de preços das passagens: por pessoa dez réis; por cavalgadura carregada ou descarregadas vinte réis, por carro de bois e carga, ou sem ela cem réis.
Por cinquenta centavos ainda eu passei na barca do Moledo e, como eu, muita gente que ainda vive. E quanto eu gostaria de ver os Barcos Rebelos, com as grandes velas cheias de vento e homens em ceroulas no alto da caranguejola, subindo as águas do Douro! Estes barcos que foram impedidos pelas barragens.
O Hospital ou Albergaria é de propriedade particular. A Capela é pública e melhor que algumas Igrejas. No seu frete, tem as armas dos Reis de Portugal, como protesto permanente contra quem acabou com tão santa instituição – no dizer de Pedro Augusto Ferreira, nosso conterrâneo do século passado, de que tanto se falou aqui. Tem este lugar algumas casa de beleza arquitectónica em ruínas que foram pertença do Dr. João Cardoso Ferraz de Miranda, oficial distinto da Secretaria dos Negócios do Reino.
Neste lugar nasceu Frei José de Penajóia, Franciscano, ex-leitor de Teologia e que foi Provincial dos Franciscanos na Província da Soledade entre 1783 a 1786, embora pouco se saiba acerca desta figura da Ordem Franciscana.
Existiu nesta povoação a família dos Camellos, tristemente célebre pelos excessos de toda a ordem que praticavam, ferindo, matando e roubando. O último dos irmãos, João Camello, não era assaltante, mas não era melhor que os outros irmãos. Deu muita pancada, tiros e facadas, quase sempre por motivos insignificantes ou agravos imaginários.
Esta aldeia, rica de tradições, é muito conhecida pela barca; rio e paisagem entram na nossa alma, não como paisagem, mas como sentimento.
As casas velhas têm os degraus de pedra voltados para o rio, onde vinham apanhar os peixes presos pelas guelras. A vida do Moledo è feita de pequenos nadas, mas a todos encanta com o ar que lá se respira.

Frei Jose Jesus Cardoso, OFM.



1 comentários:

Tbar disse...

Boa tarde...
Sou Tiago Barroso e encontrei este artigo do seu blog porque estou a pesquisar para a minha tese de mestrado.
O que lhe queria perguntar era se existe algum livro ou documento que faça referencia a esta barca do moledo da penajoia que mais tarde viria a dar o nome as Caldas do moledo que é o objecto do meu trabalho.
cumprimentos e obrigado

 
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