terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

UM RETALHO DE PENAJOÍA

Do cimo da freguesia se avista uma soberba paisagem que os nossos olhos podem admirar desde Mesão-Frio a Vila Real, na margem direita do rio Douro, que passa aos seus pés. Mesmo de frente o majestoso morro da Serra do Marão, que nos delicia, no Inverno, com o seu branco capacete de neve.
Faz parte do distrito de Viseu, concelho e Diocese de Lamego. É atravessada pela estrada Nacional 222, que de Resende ao Pinhão, nos leva a admirar as lindas paisagens deste maravilhoso vale do Douro, com os seus vinhedos e lindas casas solarengas e algumas delas Brasonadas e uma população de tradições católica.
Ao centro da freguesia tem o Edifício da Junta, onde funciona o Centro de Saúde e posto de Correios, sendo a distribuição feita ao domicilio. Tem cafés, e comércio de bens alimentares feito por vendedores ambulantes,uma Adega Cooperativa Vinícula, algumas empresas de construção civil, Turismo de Habitação Rural, fruticultura e uma de Desinfecções e Peste Controle. Na agricultura, temos a produção das uvas para se fazer o vinho de mesa e o delicioso vinho do Porto, assim como, uma agricultura de subsistência com a produção de alguma fruta, entre elas, as deliciosas cerejas . Desta forma são muitas actividades das gentes desta terra: rabalhadores de vinha, que sulfatam, podam, cavam e vindimam, artesãos carpinteiros, ramadistas, trolhas, pedreiros, tamanqueiros, cesteiros, tecedeiras, cantoneiros, barbeiros, tanueiros e moleiros.
Os grandes empregadores destas gentes, eram as grandes Quintas de Penajóia e as freguesias vizinhas. Hoje, além destas actividades que já quase desapareceram, há o comércio de cafés e vendedores ambulantes, embora tenha chegado, até aos nossos dias, dois grandes rebanhos, um de ovelhas, no lugar da Torre e outro de Cabras no Lugar de Pousada, onde existia o comércio de queijo frescos.
O pessoal válido para trabalhar procura trabalho fora e noutras ocupações, tais com a industria, comércio e serviços. Os jovens que estudam tiram os seus cursos e ficam nos grandes centros, onde com mais facilidade encontram emprego para as suas especialidades.
As gentes da nossa terra, sempre demonstraram um grande sentido de comunidade e partilha. Sempre prontos na ajuda a qualquer Obra Social. A dispersão de Lugares, impede maior unidade nos trabalhos e projectos comuns. De notar, que todos têm quase uma relação famíliar, pelo menos no perímetro de cada lugar. Também não falta a alegria do seu Folclore e com o seu belo Rancho, já instituido e sempre presente não falta nas festas e romarias. Ainda, e para boa organização das festas e actos religiosos, lá estão os Escuteiros, instituidos e com sede na freguesia.
No alto da serra, onde nasce o ribeiro Cabril, há uma rocha muito grande a que o povo desde tempos remotos, chama castelo. Dele se contam algumas lendas. Ali se respira ar puro e se avista uma deslumbrante paisagem, porque aqui ainda se não conhecem marcas negativas do progresso. A zona é mesmo bonita. Cerca daqui chegam as vinhas sempre a subirem em socalco desde o rio Douro, parecem soldados em parada no seu alinhamento de cepas velhas já retrocidadas pelos muitos anos a darem o delicioso néctar do vinho generoso, trabalhado por mãos calejadas de gente que sofre os rigores do Inverno e o sol escaldante do Verão. Cá no alto do monte, reinam as giestas de flores amarelas e brancas e alguns castanheiros, porque os grandes soutos, foram sacrificados pelo valor da sua madeira.
Para se chegar à Serra, passamos por certos caminhos, onde as silvas com as suas amoras fazem no Verão as delícias de quem as comem.
Fauna Regional
Por aqui se vêem, animais bravios: raposas, javalis, coelhos bravos, texugos, sardaniscas, cobras, borboletas, louva-a-Deus, grilos, cigarras, perdizes, gaios e milhafres, bandos de pardais, andorinhas, piscos, verdilhões, cotovias, pintassilgos, cucos, poupas, melros, rolas e papa-figos, estes já em vias e instinção. Nos ribeiros e rio, vemos peixes de várias espécies, cobras de água, libelinhas, rãs, lontras e patos bravos. As noites prolongadas de Inverno e as de Verão com o céu limpo e estrelado, ajudam a encontrar bem as constelações visíveis do nosso hemisférico, por vezes um contraste com o ar pesado e triste das pessoas que vão mudando o seu semblante conforme o tempo de frio, calor ou chuva. A esta alegria generalizada acresce a visita anual dos filhos da terra que nas férias vêm até à aldeia, para marcarem presença nas romarias e festa da terra.
Fr. José Jesus Cardoso, OFM.

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